A melhor das intenções

Amália era uma pessoa que tudo fazia por mal. Tinha sempre a pior das intenções. Havia quem não aceitasse essa sua conduta. “Amália”, diziam-lhe os seus colegas de trabalho, “podes perfeitamente infernizar-nos a vida e colocar-nos em situações perigosas que eventualmente colocam em perigo as nossas vidas e provocam até o chamado falecimento das nossas pessoas, mas não podes fazê-lo por mal.”

No entanto, era por perfídia pura com algum tédio à mistura que Amália cometia acções diabólicas contra os seus pares. A empresa defendia uma política de redução de custos com o pessoal pelo que o facto de Amália andar entretida a matar pelo menos um funcionário todas as semanas não lhe dava direito a receber sequer uma admoestação por parte da direcção. O máximo que recebeu foi um olhar de reprovação do chefe por ter danificado um agrafador da empresa que utilizou num dos seus homicídios, revelando-se desta feita bastante negligente no manuseamento do equipamento de escritório.

Até que um dia tudo iria mudar. Um colega de trabalho de Amália, faleceu, vitimado por um engenho explosivo por ela colocado não sem alguma malícia. Até aqui tudo bem. Mas sucede que Amália suprimiu esse seu colega por engano. Não era esse que ela queria matar, eram outros oito, mas esse não. O engano provocou-lhe uma angústia tal que Amália mudou complementamente a sua forma de ser. Continuou a matar gente com fartura, a torto e à direito, como até então, mas passou a fazê-lo com a melhor das intenções, como se pede a uma rapariga da sua condição.

20 de Julho de 2012

2 responses to A melhor das intenções

  1. Recordas-te-me de uma das melhores "piadas" do cinema.
    «I don't do fiction. Not my field.» http://www.youtube.com/watch?v=yJyUXZAwxtI

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