A melhor das intenções

Amá­lia era uma pes­soa que tudo fazia por mal. Tinha sem­pre a pior das inten­ções. Havia quem não acei­tasse essa sua con­duta. “Amá­lia”, diziam-lhe os seus cole­gas de tra­ba­lho, “podes per­fei­ta­mente infernizar-nos a vida e colocar-nos em situ­a­ções peri­go­sas que even­tu­al­mente colo­cam em perigo as nos­sas vidas e pro­vo­cam até o cha­mado fale­ci­mento das nos­sas pes­soas, mas não podes fazê-lo por mal.”

No entanto, era por per­fí­dia pura com algum tédio à mis­tura que Amá­lia come­tia acções dia­bó­li­cas con­tra os seus pares. A empresa defen­dia uma polí­tica de redu­ção de cus­tos com o pes­soal pelo que o facto de Amá­lia andar entre­tida a matar pelo menos um fun­ci­o­ná­rio todas as sema­nas não lhe dava direito a rece­ber sequer uma admo­es­ta­ção por parte da direc­ção. O máximo que rece­beu foi um olhar de repro­va­ção do chefe por ter dani­fi­cado um agra­fa­dor da empresa que uti­li­zou num dos seus homi­cí­dios, revelando-se desta feita bas­tante negli­gente no manu­se­a­mento do equi­pa­mento de escritório.

Até que um dia tudo iria mudar. Um colega de tra­ba­lho de Amá­lia, fale­ceu, viti­mado por um enge­nho explo­sivo por ela colo­cado não sem alguma malí­cia. Até aqui tudo bem. Mas sucede que Amá­lia supri­miu esse seu colega por engano. Não era esse que ela que­ria matar, eram outros oito, mas esse não. O engano provocou-lhe uma angús­tia tal que Amá­lia mudou com­ple­men­ta­mente a sua forma de ser. Con­ti­nuou a matar gente com far­tura, a torto e à direito, como até então, mas pas­sou a fazê-lo com a melhor das inten­ções, como se pede a uma rapa­riga da sua condição.

O futuro vem aí, disse-me um senhor no café
O rapto de Ole­gá­rio

Write a comment

Name *

E-mail *

Website

Message *

2 Comentários

Balloons theme by
Moargh.de