Adeus, 2011

O ano de 2012 chegou, com pompa e circunstância. Parece-me não existir altura mais oportuna do que esta para fazer uma retrospectiva do ano de 1977. Permitam-me só fazer a seguinte observação, lateral a este assunto: a pompa e a circunstância andam muitas vezes juntas. Onde haja uma frase onde esteja presente a pompa, normalmente está também a circunstância. Correm até rumores que as duas já foram vistas de mão dada. Mas não me pronuncio mais relativamente a isto, até porque não tenho por hábito intrometer-me na vida privada das palavras, a não ser que sejam nomes próprios, como Rita ou João.

Retomando o fio à meada, já se sabe que fazer retrospectivas com menos do que 20 anos de distanciamento é mau. Desde já, porque os acontecimentos que se registam em cada ano têm repercussões que só se fazem sentir a longo prazo. Por exemplo, analisar à lupa o ano de 1987 em 1988 não iria revelar nada de transcendente. O mesmo exercício, feito agora, teria produzido a seguinte conclusão: o mundo era um local bem mais feliz em 1987, pois nessa altura ninguém conhecia os Black Eyed Peas.

1977 pode parecer um ano longínquo, envolto num manto de neblina, mas foi também o ano em que foi fundada a Apple. A forma como tocamos em coisas nunca mais foi a mesma. 2011 poderá parecer um ano que não irá deixar saudades, sobretudo para quem viu televisão, mas nada nos diz que algo de revolucionário que irá mudar a forma como vemos o mundo e como o mundo nos vê a nós não foi criado neste ano. Em 2040 a gente fala.

2 de Janeiro de 2012

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