Enquanto estamos à espera
Estou neste momento numa fila de espera. Onde me leva esta fila? Não é isso o mais importante. Há uns anos, um professor britânico contou-me algo que eu na altura achei curioso. Em Inglaterra, não é insólito ver senhoras idosas dirigirem-se a filas de espera em locais públicos, movidas por um único propósito: o de meter conversa com quem lá aguarda. A solidão é tramada. Que é como quem diz, estamos todos juntos nisto, vamos todos para o mesmo lado, por isso façamos então companhia uns aos outros entretanto.
A vida é uma incessante espera. Há quem esteja à espera que lhe digam alguma coisa. Há quem diga: “podes esperar sentado”. Há quem esteja à espera que a outra parte se decida. Há quem se decida, mas quando finalmente se decide já é tarde demais, já não há ninguém à espera. Quando tomamos a iniciativa de marcar algo, há que aguardar confirmação. E, no dia em que se marcou, há que esperar que toda a gente que confirmou chegue. E há quem espere, e acredite, que algo de surpreendente ainda irá acontecer, que a vida tem de ser mais do que isto isto.
B Fachada interpreta o tema “estar à espera ou procurar”. O que suscita a questão: qual será a melhor abordagem, estar à espera ou procurar? Podemos procurar o tempo todo que quisermos, mas se não soubermos o que que procuramos, não adianta de nada. E aquilo que procuramos não é, muitas das vezes, aquilo que realmente queremos ou que verdadeiramente nos faz falta. Há que saber esperar. Estar à espera não é uma atitude passiva, não é deixar andar. Estar à espera é estar desatento, mas preparado para a eventualidade. É finalmente encontrar e pensar que, afinal de contas, nada nos preparou para aquele momento. E que ainda bem que assim foi. Não devemos procurar. Quando se está à espera e se encontra, é duplamente recompensador. Encontrar quando não se está à procura sabe muito bem. Melhor, só mesmo encontrar quando nem sequer se está à espera.



Tive um tio que era apologista de esperar em vez de procurar. Não tinha emprego e então ficava no quintal da casa dos pais, vendo o dia passar, enquanto dizia “eu tenho fé em Deus”. Não tivessem dois outros familiares arranjado emprego para ele e ainda hoje lá estaria, com ervas a crescer à volta da peidola.
Abraço!
O outro comentário foi? Porra, era demasiado grande para o voltar a escrever…
Penso que está tudo ok com o teu último comentário. É o que está acima, certo?