Está o caldo entornado

Como a agressividade não se dilui em água é inevitável que as pessoas, mais certo ou mais tarde, tenham de recorrer a outros expedientes e a chegarem a vias de facto. Há ocasiões em que duas ou mais pessoas decidem resolver um dado diferendo recorrendo à força física. Normalmente, o álcool surge como um catalisador destas desavenças, resultando em disputas que envolvem uma combinação mais ou menos coordenada de movimentos que visam desferir danos ao adversário de forma a aleijá-lo e ensinar-lhe uma lição.

As probabilidades de haver porrada aumentam exponencialmente com a presença de mulheres nas proximidades a quem os homens envolvidos na sessão de intercâmbio de socos possam impressionar. Centro-me aqui exclusivamente nos confrontos masculinos uma vez que na única luta de que tenho registo, envolvendo mulheres, elas estavam em roupa interior e o confronto realizou-se na lama. Não, não testemunhei isso pessoalmente, foi num vídeo com a imagem muito desfocada. A minha vida é bastante deprimente.

Mas voltemos à análise antropológica do confronto. Ao demonstrar que é um exímio lutador e que sabe defender a sua honra ripostando quando é provocado com olhares consecutivos de mais de 0.6 segundos, o homem está a sinalizar às demais donzelas que é viril e que as consegue proteger de leões, elefantes e tigres. Está a transmitir, portanto, que é um bom partido, capaz de assegurar a protecção da mulher no neolítico.

O nível de indignação tem subido a olhos vistos nos últimos anos. Em termos técnicos, as pessoas andam mais carrancudas. Esta afirmação pode facilmente ser sustentada através da análise da evolução no número de pessoas que escrevem frases totalmente em maiúsculas. Compilando estes dados e representando-os sob a forma de gráficos de barras, gráficos circulares e histogramas, rapidamente chegámos à conclusão que as pessoas andam mais chateadas agora do que há alguns anos atrás.

Apesar de toda esta indignação acumulação, actualmente as pessoas levam vidas muito ocupadas e preenchidas, por causa da ubiquidade da televisão e da vasta oferta a nível de canais televisivos. Com tal azáfama constante nem sequer sobra tempo para criar inimizades, o que é uma pena. Não tarda nada os miúdos só se vão saber agredir recorrendo a avatares que controlam através de gamepads e teclados. Prevejo um futuro negro para a humanidade, com a proliferação do síndrome do túnel carpal.

7 de Novembro de 2011

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