Já fui muito feliz nos Açores — Parte 1

Durante as deam­bu­la­ções pela ilha da Ter­ceira, no arqui­pé­lago aço­ri­ano, chegaram-me aos ouvi­dos rela­tos de um esta­be­le­ci­mento de comér­cio tra­di­ci­o­nal com carac­te­rís­ti­cas pecu­li­a­res. Resolvi ir ao local e pre­sen­ciar este fenómeno.

Chego lá e observo, na mon­tra, quin­qui­lha­rias e de geri­gon­ças, louça, máqui­nas de café, joiás mas tam­bém ins­tru­men­tos músi­cais de cor­das, sopro e per­cus­são e cami­so­las de equi­pas de futebol.

diasdechuva Já fui muito feliz nos Açores   Parte 1

Uma aná­lise ao horá­rio de fun­ci­o­na­mento da loja per­mi­tiu des­co­brir o seguinte: A loja abre por­tas de manhã, às 11h e volta a encer­rar uma hora mais tarde, às 12h. Na parte ves­per­tina as por­tas vol­tam a abrir, desta feita às 16h30 para mais uma mara­tona de uma hora, encer­rando por­tanto às 17h30. Como duas horas de tra­ba­lho por dia é uma carga horá­ria desu­mana, resol­ve­ram fol­gar em algu­mas (pou­cas) cir­cuns­tân­cias, a saber: “fechado aos sába­dos, domin­gos, feri­a­dos, dias san­tos e nos dias de chuva(!)”. Sim, dias de chuva, não minto (geral­mente). Isto pode cau­sar espanto, mas tenho uma teo­ria que explica isto: Trata-se de uma loja de pro­du­tos rou­ba­dos. Nos dias de chuva à par­tida haverá menos tran­seun­tes na rua, logo dimi­nuem as opor­tu­ni­da­des para os ami­gos do alheio, o que implica menor número de rou­bos e por­tanto escassa quan­ti­dade de mer­ca­do­ria dis­po­ní­vel para venda na loja e por­tanto não se jus­ti­fica sequer abrir a dita cuja. Para aden­sar ainda mais as minhas sus­pei­tas está o facto de não acei­ta­rem paga­men­tos via multibanco.

Espe­cu­la­ções à parte, resolvi entrar na loja, curi­oso, a ver se des­co­bria alguma pechin­cha à venda. O res­pon­sá­vel pelo esta­miné encontrava-se à entrada em amena cava­queira com outro senhor. Mal coloco um pé no inte­rior da loja, pronto para trans­por a ombreira da porta, o ven­de­dor abre a boca, dando ori­gem ao seguinte diá­logo (mais coisa menos coisa):

Ó amigo, onde pensa que vai?”

Er… vou entrar na loja, para ver o interior!”

Isto não é uma loja de ver, é uma loja de comprar!”

Como é que eu hei-de saber o que posso com­prar se não puder ver o conteúdo?”

Vá lá, pronto, nesse caso entre. Se tiver alguma dúvida fale comigo!”

—–

Bre­ve­mente, na 2ª parte: caso vá na rua e um touro ale­a­tó­rio surja na sua direc­ção, certifique-se de que tem um guarda-chuva à mão.

Já fui muito feliz nos Aço­res — Parte 2
A minha expe­ri­ên­cia de 3 dias de My Brute

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1 Comentário

  • Machado

    Grande MC, devo con­fes­sar que gosto da maneira cómica como escre­ves ;)

    Real­mente esta loja não lem­bra a nin­guém lol eu entrei lá e aquilo até me deu arre­pios xD

    Estou ansi­oso para o pró­ximo texto da Ilha Ter­ceira… Fugir dos tou­ros é que é lol

    09/02/09 – 2:40

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