Um tal de Xenu

scientology1

Para quem não sabe, a cientologia está representada em Portugal pela Igreja Portuguesa de Cientologia, em Lisboa. Mas o que é a cientologia, afinal? Que fazem os seus seguidores, além de pularem tresloucadamente no sofã da Oprah? Qual a razão para haver tanta adesão por parte das celebridades de Hollywood? Estas são todas questões bastante interessantes, às quais não vou responder.

O curioso é que o defunto Lafeyette Hubbard, a mente por detrás deste culto, era um escritor de ficção científica, ou seja, cumpria o requisito  fundamental para fundar uma religião. Através do website desta instituição sem qualquer tipo de fins lucrativos é possível efectuar um “teste de personalidade” grátis. Segundo eles, este tipo de questionários de escolha múltipla normalmente custam 500 dólares, o que faria destas as cruzinhas mais caras de sempre, ultrapassando as do totoloto por larga margem. No entanto, como são gajos(as) porreiros(as) permitem-nos fazê-lo de forma completamente grátis. Ao visitante informam, entre outras coisas, que a sua personalidade está relacionada com o respectivo salário. Desconfio que a conta bancária deles também! Senão vejamos: cá em Portugal, para subir na hierarquia e ir alcançando um nível superior de iluminação espiritual, ou lunaticidade, se preferirem, é necessário investir na formação e ir amealhando “cursos” que custam entre 50€-70€, no início, e os olhos da cara, mais tarde.

Após alguns anos de lavagem cerebral, e atingido o nível III de Thetan Operante, é-nos revelado um episódio da história que normalmente não é ensinado na escola. Há 75 milhões de anos atrás, um tal de Xenu, ditador maquiavélico e com requintes de malvadez, governava a Confederação Galáctica. Um belo dia resolveu trazer biliões de conterrâneos dele para a Terra. O que os aguardava não era o típico tranquilo passeio espacial, daqueles que normalmente se fazem ao domingo. Nada disso. Foram amarrados em torno de vulcões, onde de seguida Xenu ordenou que fossem detonadas bombas de hidrogénio. Enquanto tudo ia pelos ares, Xenu soltava um riso maléfico. Em termos visuais isto foi decerto algo de espectacular, mas não há bela sem senão: este falecimento em massa libertou uma essência maléfica, conhecida por thetan, que continua a corromper espiritualmente todos os seres vivos até aos dias de hoje. A quantidade excessiva de ficção científica presente nesta narrativa afectou-me de sobremaneira. Estou a precisar de algo que me faça voltar a ter os pés bem assentes na terra, por isso agora vou-me ausentar para uma maratona de Guerra das Estrelas e Senhor dos Anéis.

5 de Outubro de 2009

One response to Um tal de Xenu

  1. Pedro said:

    Eu ouvi dizer que o Xenu tinha hálito a cebola, mas isto ainda não me foi confirmado.

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