Uma disputa épica

 

O Quénia e o Uganda decidiram andar à chapada. Não uma chapada literal, mas mais de cariz bélico. Até aqui tudo bem, mas o que sucede é que o motivo deste conflito é nada mais, nada menos, do que a ilha de Migingo. Perdida algures no lago vitória, o maior do continente africano, esta ilha tem dimensões tão liliputianas que para um campo de futebol caber lá teriam de o dobrar em dois.

As 500 almas que habitam esta carapaça de tartaruga dedicam-se quase exclusivamente à pesca. Para ocuparem os tempos livres, além de se poderem entreter a ir de uma ponta à outra da ilha em pé coxinho num minuto, têm à sua disposição nada mais nada menos do que quatro bares, um cabeleireiro, inúmeros bordéis e uma farmácia.

Ao que parece esta ilha é um filão no que toca às reservas de perca do Nilo, peixe que pode ser vendido por bateladas de dinheiro. Razão mais do que suficiente para, em 2002, grupos de pescadores provenientes do Quénia e do Uganda tentarem ali sua sorte. O problema é que a região tornou-se infestada de piratas armados até aos dentes, que arruinavam o negócio dos pescadores, saqueando, pilhando, arreliando e de um modo geral, sendo bastante desagradáveis. O Uganda veio então acudir os pescadores e hasteou a sua bandeira em Migingo, reclamando para si a soberania territorial do rochedo. Começou aí uma disputa épica, num conflito em que ambos países têm enviado reforços às meias dúzias de cada vez. Presumo inclusivamente que os constrangimentos de espaço obrigam a utilizar formações militares verticais, com soldados às carrachuchas.

10 de Julho de 2009

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