Uma história em que quase sucede alguma coisa

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Apro­veito este espaço para apre­sen­tar um indi­ví­duo cujo nome é K. O seu per­curso de vida até seria bas­tante vero­sí­mil, caso des­car­tás­se­mos por com­pleto as leis da ter­mo­di­nâ­mica. A expli­ca­ção para a esco­lha do nome do indi­ví­duo, essa, remeto-a para a frase seguinte. Pen­sei em desig­nar o pro­ta­go­nista desta nar­ra­tiva por um ape­lido tipi­ca­mente por­tu­guês, tal como Wag­ner, ou até mesmo Simões, mas achei que isso iria redu­zir ainda mais o apelo uni­ver­sal desta his­tó­ria, já de si nulo. Caso tivesse optado por ape­li­dar a per­so­na­gem de X, iria cer­ta­mente conferir-lhe uma aura de mis­té­rio, mas optei pelo K em detri­mento do X por­que o K pos­sui uma bono­mia assi­na­lá­vel que se ajusta na per­fei­ção a K.

Quer-se dar a enten­der, em par­cas pala­vras, que a vida de K é extre­ma­mente monó­tona. Por isso, natu­ral­mente, vai-se uti­li­zar o sub­ter­fú­gio de afir­mar que a sua acti­vi­dade labo­ral é a con­ta­bi­li­dade e que os seus pas­sa­tem­pos envol­vem o colec­ci­o­nismo de saque­tas de açu­car, moe­das e mis­san­gas. Para aden­sar este qua­dro, adi­ci­ono a isso o facto de o seu guarda-roupa ser com­posto exclu­si­va­mente por indu­men­tá­ria mono­cro­má­tica. Como não pos­suía tele­vi­sor, K tinha por hábito dirigir-se à janela para inda­gar se esta­ria a dar alguma coisa de jeito lá fora. Considerava-se um cien­tista social e obser­vava com avi­dez as pes­soas a inte­ra­gi­rem. Gos­tava de cata­lo­gar as situ­a­ções que obser­vava no exte­rior com base em qua­tro cate­go­rias: “alter­ca­ções”, “situ­a­ções no mínimo cari­ca­tas”, “situ­a­ções bas­tante bizar­ras” e “trá­fico de estupefacientes”.

K aufe­riu recen­te­mente um com­pu­ta­dor. Achou que iria cons­ti­tuir um exce­lente com­ple­mento para o rato óptico que tinha adqui­rido 6 meses antes. E em boa altura o fez. É que ape­sar de K gos­tar de con­su­mir cer­veja, enca­rava isso sobre­tudo como uma acti­vi­dade social e não gos­tava de beber sozi­nho, pelo que come­çou a fre­quen­tar as salas de chat. Consta que certo dia acon­te­ceu algo de sur­pre­en­dente que dei­xou a vida de K de pan­ta­nas, mas eu não estava lá na altura, pelo que não posso rela­tar o sucedido.

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7 Comentários

  • pjbvg

    Mais um post que pro­voca um nível cate­go­ri­ca­mente ele­vado de estu­pe­fac­ção estu­pi­da­mente estupefaciente.

    08/03/11 – 20:32

  • asdasdddaasd

    Eu sei o que dei­xou a vida de K de pan­ta­nas. Encon­trou o Death Note.

    08/03/11 – 20:52

  • Liliana

    O K é um panda.

    08/03/11 – 22:34

  • Joana

    Muito bom! Tam­bém quero ser uma cien­tista social! Muito bem redi­gido e espe­ci­al­mente bem explo­rado o sus­pense ao intro­du­zi­res uma per­so­na­gem com uma his­tó­ria assaz pro­mis­sora e …o meu comen­tá­rio ter­mina aqui.

    08/03/11 – 10:10

  • Liliana Camões

    Grand Cen­tral Sta­tion Loc­ker Cre­a­tu­res:
    K is back! The kee­per of the light! All hail K! All hail K! Oh K can you see by the dawn’s early light…

    MIB II (2002)

    08/03/11 – 17:07

  • José Durães

    Real­mente isso explica muita coisa. E por falar em Death Note, ainda não aca­bei de ver a série, falta-me apro­xi­ma­da­mente 1/4. Imperdoável.

    08/03/11 – 21:42

  • José Durães

    I see what you did there!

    08/03/11 – 21:47

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