Uma ideia revolucionária que claramente nunca chegará a lado nenhum

stephan muntaner 1 Uma ideia revolucionária que claramente nunca chegará a lado nenhum

Quem de nós não pas­sou já pela seguinte situ­a­ção? Esta­mos a bar­rar man­teiga numa tosta, des­con­trai­da­mente, e é então que, num ápice, uma falha na cor­de­na­ção motora pro­voca uma queda desen­fre­ada da tosta. Ao emba­ter no chão (e aqui reside a tra­gé­dia) é a face gor­du­rosa que está vol­tado para baixo e que absorve parte do impacto. Uma belís­sima tosta fica logo arrui­nada. É uma pro­ble­má­tica que a todos deixa taci­turno e a alguns macam­bú­zio, inclu­sivé, mas não é sobre isto que quero dissertar.

Há dias em que atendo o tele­fone e, após bre­ves minu­tos de amena cava­queira, o meu inter­lo­cu­tor, que é um amigo da famí­lia, pede-me para entre­gar um deter­mi­nado mimo (geral­mente bei­jos ou abra­ços, avul­sos) a ambos os pro­ge­ni­to­res, irmã, tia e fami­li­a­res até à 4ª gera­ção. À pri­meira vista poderá pare­cer um pedido razoá­vel, mas na rea­li­dade dele­gar a entrega de mimos é a outrém cons­ti­tui um enorme fardo. Jamais deve­re­mos colo­car tama­nha res­pon­sa­bi­li­dade sob os ombros de uma pes­soa, a não ser que se trate de um pro­fis­si­o­nal, como muito pouco opor­tu­na­mente irei defen­der mais adiante.

Sob o ponto de vista antro­po­ló­gico observo tam­bém com muita aten­ção as emis­sões tele­vi­si­vas daquele sub­gé­nero de pro­gra­mas ape­li­da­dos em lin­gua­gem mais téc­nica de “pro­gra­mas da tarde”. Aí pode­mos obser­var popu­la­res que, quando colo­ca­dos diante do micro­fone, deci­dem enviar (ou melhor, dizem que que­rem enviar) um deter­mi­nado mimo para o/a sobrinha/filho/pai que está na Suiça/Luxemburgo/Cedofeita. Mas isto levanta uma série de ques­tões: Como é que, em ter­mos logís­ti­cos, o mimo chega lá? Há inú­me­ras juris­di­ções pela frente. Quem é que se encar­rega de reme­ter estes mimos ao seu legí­timo destinatário?

Por­que pelos vis­tos o país tem muito amor para dar mas esse amor está a cair em saco roto, pro­po­nho a cri­a­ção de uma agên­cia inter­na­ci­o­nal de entrega de mimos ao domi­cí­lio. Note-se que só estou a advo­gar a entrega de cum­pri­men­tos, abra­ços, carí­cias, res­tan­tes ges­tos de afecto, fist­bumps ou até ai fai­bes. Nada que impli­que a mais ínfima vio­lên­cia, dado que já exis­tem agên­cias cri­mi­no­sas que se encar­re­gam da entrega de toda a panó­plia de con­tac­tos físi­cos inter­pes­so­ais mais brus­cos e que che­gam até a alei­jar. E é tudo por agora. Um abraço!

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1 Comentário

  • Pedro

    Muito bom! Mas eu já estive lá fora e sei que na França há pro­fis­si­o­nais do mimo há já lon­gos anos.. Só neste País é que a indús­tria do mimo não anda para a frente! Sem­pre a mesma pouca ver­go­nha! bah

    10/19/10 – 20:34

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